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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Buteo no contra molhe

O barco do Parque Natural da Madeira, "Buteo" encontra-se atracado no contra molhe do porto do Porto Santo. É uma embarcação bonita, de linhas que fazem lembrar os saudosos carreireiros que apesar de um pouco maiores tinhas o mesmo tipo de construção, e faz lembrar que o mesmo uso poderia ter sido dado ao "Maria Cristina" que foi construído de raiz, como replica do seu antecessor, e que se encontra , totalmente podre depois de ter abandonado no Caniçal onde se encontra.






© Fotos Elvio Leão


domingo, 6 de julho de 2014

Fotos do antigamente,Os pequenos e elegantes carreireiros

Era uma vez, uns pequenos e elegantes barcos, construidos em madeira, que abasteciam o Porto Santo de tudo o que este necessitava, e transportavam para a Madeira  o que a ilha produzia 


Tripulados por gente audaz, estas embarcações marcam uma época, ja esquecida por muitos e desconhecida pelos mais novos, em que o transporte maritimo não era facil como nos dias de hoje.
Não havia motores, nem gruas , não havia os meios de navegação nem a segurança de meios de busca e salvamento disponíveis nos dias que correm.





Apesar disso, os valentes marinheiros faziam-se ao mar, em condições por vezes dificeis, com ventos e mar que faziam temer o pior.
Sem porto e com uma baía protegida dos ventos de norte, mas muito exposta aos ventos de sul, frequentemente vinha o "tempo de sul" e  tinham que varar os barcos á pressa para não correr o risco dos mesmos encalharem.


Maiores ou mais pequenos todos tinham o mesmo design, com duas proas com forma ogival, com quilha, roda de proa e cadaste, e tabuado do forro liso. Eram barcos com convês corrido, com uma escotilha elevada ao centro, a vulgarmente chamada "camara" onde de abrigavam os passageiros, um mastro á proa, onde originalmente armavam uma vela carangueja. e mais recentemente um pau de carga onde, com o auxilio do molinete da proa, que tambem era usado para recolher a amarra, se fazia a carga e descarga de mercadorias mais leves.









Com a introdução dos motores, as viagens tornaram-se mais rápidas, rondando as 4 ou 5 horas em condições de bom tempo. Cheguei a fazer algumas no meu tempo de estudante e foram , umas boas, outras más mas todas recordo com um pouco de nostalgia.
Na decada de oitenta foram feitas algumas alterações ao design original, com a construção, primeiro ,do "Devoto Santissimo" e depois do "Arriaga" e com a introdução de casa de leme nos dois restantes. "Maria Cristina" e Cruz Santa".













Infelizmente o tempo de nada se compadece e em poucos anos esses lindos barcos desapareceram.
Foi construida uma réplica do "Maria Cristina", que durante algum tempo operou do mercado turistico, mas foi enviado para o Caniçal onde aos poucos está a degredar-se.


Réplica do "Maria Cristina"

Ficaram as memorias, as histórias de que lá trabalhou, e algumas fotos. Na minha opinião as autoridades competendes deveriam criar um nucleo museulogico onde podesse ser exposto todo o historial destes BARCOS que tão importantes foram para as gentes do Porto Santo.





Se alguém se achar no direito de reclamar a autoria de algumas das fotos por favor contacte-me que eu as retirarei, o que seria uma perda para a informação deste post.
Texto: Elvio Leão

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Modelo do carreireiro "Maria Cristina"

Maqueta do bem conhecido carreireiro "Maria Cristina" que durante décadas ligou o Porto Santo a Madeira no transporte de mercadorias e passageiros. Este modelo á escala de 1/75  foi concebido pelo artista Jaime Rodrigues , autor de muitos outros  onde se inclui rebocadores, porta contentores, ferries , etc.




© Fotos Jaime Rodrigues com direitos reservados

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Porto Santo e as exportações

 Falar de exportações no Porto Santo pode não fazer sentido , o Porto Santo hoje só exporta lixo e vasilhame. Exporta sucata de ferro, de vidro, de cartão e lixo indiferenciado, exporta vasilhame de gás, de refrigerantes e nada mais, Mas nem sempre foi assim, tempos houve em que o Porto Santo exportava tanto ou mais que importava. Havia na ilha a industria conserveira, a industria da cal em pó, o vinho do Porto Santo , as aguas minerais do Porto Santo, a uva, a melancia e o melão, e o gado.
Varados na praia ou atracados ao cais, tudo era carregado para a Madeira, e dizem as pessoas mais idosas que por vezes os barcos carreireiros iam carregados para a Madeira mas voltavam com pouca carga, o inverso dos dias de hoje, em que praticamente tudo o que se consome na ilha é importado. Nos anos 40 do seculo passado o Porto Santo exportava grande quantidades de conserva de peixe, sobretudo atum, que era reconhecida pela qualidade, sendo a industria que mais emprego gerava.








Traineiras a descarregar peixe para a fabrica das conservas.

 Também a cal do Porto Santo, de excelente qualidade era uma das principais industrias. sendo ainda visíveis pela ilha , ruínas dos antigos fornos, que infelizmente estão a perder-se, exportando-se muitas toneladas para a vizinha ilha, usada sobretudo na construção,




A famosa agua do Porto Santo, conhecida internacionalmente, foi uma das ultimas industrias da ilha a desaparecer, mantendo-se ainda o prédio com a configuração original e com toda a maquinaria no interior, um bom local para se fazer um museu alusivo a fábrica das aguas, que muito deu ao Porto Santo e que infelizmente passou á história.
Carreireiro "Maria Cristina" carregado com caixas de agua, ainda  construídas em madeira
A par com estas pequenas, "grandes" industrias a nossa ilha exportava em grandes quantidades o famoso vinho do Porto Santo, que pelas suas características era usado para enriquecer algum vinho Madeira, e como tal, depois das vindimas os carreireiros iam para a Madeira carregados de vinho.

Carreireiro carregando pipas com vinho
Também durante o verão, a produção de melancia, que era considerável, ocupava muito do espaço nos barcos carreireiros, sendo muito procurada pela sua enorme qualidade, assim como a uva de mesa que na mesma altura ia para o Funchal em grandes cestos de vime.
A criação de gado era  uma das grandes fontes de riqueza na ilha, indo os animais vivos amarrados no convés dos barcos, e sendo embarcados de salto, pelas escadas do cais.



Estranhamente, com todas as dificuldades de transporte, o Porto Santo exportava , e exportava muito, agora , com excelentes transportes, os contentores e camiões regressam ao Funchal vazios, o que nos deixa a pensar se as medidas que ao longo dos anos se foram implantando, umas por exigências comunitárias outras nem por isso , foram benéficas, pois assim todos perdem. Perdem os portossantensses que poderiam ter mais riqueza e emprego, perdem os armadores que poderiam ver os seus navios mais rentabilizados e perde o governo que assim recebe menos impostos .

Se alguém se achar no direito de reclamar a autoria de algumas fotos por favor contacte-me que eu as retirarei, o que seria uma perda para a informação deste post.

Agradeço á Sra  Manuela Andrade a cedência de algumas fotos .





sexta-feira, 31 de maio de 2013

Fotos do antigamente. O desembarque na praia

O extenso areal do Porto Santo, servia para desembarque e embarque de toda a mercadoria que chegava ao Porto Santo por via maritima. Os carreireiros , como eram chamados os barcos que faziam o transporte de mercadorias entre o Funchal e o Porto Santo, encalhavam na praia na preia-mar e logo que a maré baixava e permitia ,faziam a descarga e carga dos mesmos. Ficam as fotos, das quais desconheço os autores mas que mostram bem como se procediam essas operações.












Se alguém se achar no direito de reclamar a autoria de algumas fotos por favor contacte-me que eu as retirarei, o que seria uma perda para a informação deste post.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Fotos do antigamente. As dificuldades de outrora

Eram muitas as dificuldades por que passavam as gentes do mar antes do Porto Santo estar dotado de um porto.
Carreireiro atracado no cais do Porto Santo







 Quando sopravam ventos de sul as dificuldades redobravam pois alem de não haver condições para descargas  as embarcações ficavam desprotegidas, sendo necessário, quando possível vara-las para evitar encalhes ou então desloca-las para a zona da serra e do ilhéu de cima onde ficavam um pouco mais protegidas.

Vento forte de sul





Usava-se Caterpillers ou muito gente a puxar um cabo com o barco a reboque. Os barcos deslizavam em cima de pranchas de madeira untadas com sebo que aqui eram vulgarmente chamadas de "parais"


Varando a  Sra da Conceiçao


Colocando o carreiro a flutuar a custa de muito esforço humano










 Os navios que ficavam ao largo. sempre que o tempo permitia faziam transbordo de passageiros para os carreireiros, para a Profeta e para a Sra da Conceição, sendo por vezes bastante dificil proceder ao embarque e desembarque dos passageiros devido ao vento e ondulação.



Madeirense fundeado ao largo

Cedros e Sra da conceição



Inesquecível "Profeta"



Carreireios apinhados de passageiros


Ja o embarque de mercadorias era feito as costas ou recorrendo a uns simples paus de carga do barcos carreireiros.










Passageiros e mercadorias


Embarque de gado





© Fotos: Manuel Jardim, (Luciano Fotografo)





Começou a construção dos maiores navios porta contentores do mundo

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